O
DOSSIÊ
EVANGÉLICO
UMA ABORDAGEM SOCIOLÓGICA
DE UMA INTERPRETAÇÃO DO CRISTIANISMO
Alexsandro Souza
Elienar Soares
Misael Santos
Nelma Hora*
São os homens que produzem as suas representações, as suas idéias, etc.
Karl Marx
E não sede conformados com este mundo,
mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento...
Apóstolo Paulo
RESUMO: O presente trabalho acadêmico é na verdade um instrumento de manifestação contra a intolerância religiosa praticada discretamente na Academia, mais precisamente em nossa Universidade, de modo que a partir de idéias de Durkheim, nós explanaremos algumas doutrinas, explicaremos alguns ritos para enfim se discutir a função social dos evangélicos a partir da sua organização, daí propõe-se que se reconheçam as atividades sociais dos evangélicos.
PALAVRAS-CHAVES: Religião. Doutrinas. Ritos. Organização. Função. Sociedade.
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*Graduandos da Universidade Federal da Bahia, discentes do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos, alunos do Professor PhD Renato da Silveira na disciplina Estudo das Sociedades, turma 03.
1 INTRODUÇÃO
As instituições de um modo geral possuem uma função social em nossa sociedade. Sejam as universidades, os times de futebol, a política e a religião. No entanto, a religião, vista como instituição, é algo peculiar dentro da sociedade pós-moderna brasileira, pois existe a tendência de generalizar, considerando o cristianismo-católico como a religião praticada por todos os brasileiros. Em realidade, existem outras instituições religiosas em nosso país, como as religiões de matrizes africanas, as religiões orientais, o espiritismo e o cristianismo-evangélico ou protestante.
Originado no final do século XVI, por questões políticas e econômicas, num espaço onde atualmente se encontra a Alemanha, através de um monge chamado Martinho Lutero que se dedicou a fazer uma nova leitura do cristianismo praticado na época pelos católicos. O que levou a sua excomunhão com o Vaticano criando a igreja protestante, movimento conhecido historicamente por reforma religiosa.
Atualmente no Brasil cerca de vinte e cinco por cento da população se declara protestante ou evangélica, com isso é inadmissível ignorar não apenas a quantidade de pessoas mais também as suas doutrinas, os seus rituais, os seus aspectos psicológicos, enfim a sua função social. Desse modo, produzimos esse trabalho acadêmico sob o ponto de vista da inserção dos evangélicos na universidade, reconhecendo que se trata de uma seara pouco explorada pelos intelectuais que podem estar contaminados com o preconceito ocasionado pela tradição.
Há diversos trabalhos escritos sobre esse tema, alguns escritos por verdadeiros cânones como Émile Durkheim que trata a religião de modo geral, e Ludwig Feuerbach que trata do cristianismo em sua expressão católica. Quanto aos protestantes e evangélicos brasileiros há bastante material científico em forma de artigos acadêmicos, dissertações de mestrado e teses de doutorado publicados na internet, em revistas virtuais de fácil acesso.
Desconfortáveis com essa situação, nós alunos evangélicos da disciplina estudo das sociedades, decidimos elaborar uma pesquisa teórica e produzir o presente texto como uma manifestação da nossa presença nessa universidade. Cada um ficou responsável por um tema, escrevendo uma espécie de relatório para após discussões em grupo produzirmos o presente texto.
2 DOUTRINAS ESSENCIAIS, por Alexsandro Souza
Uma religião pode ser definida a partir do conceito de Durkheim que afirma:
Uma religião é um sistema solidário de crenças e de práticas relativas a coisas sagradas, isto é, separadas, proibidas, crenças e práticas que reúnem numa mesma comunidade moral, chamada igreja, todos aqueles que a elas aderem. (Durkheim, 1996 p.32)
Partindo desse conceito será feita uma análise de um segmento do cristianismo – os evangélicos, iniciando com suas crenças, que são transformadas em doutrinas a partir do momento que são ensinadas, transmitidas aos mais novos. É bom lembrar que crenças para Durkheim (1996) são estados de opiniões, consistem em representações. Portanto o que será apresentado nesse texto são representações transmitidas por gerações aos ingressos no evangelho.
Lógico que não será homogeneizada todas as interpretações evangélicas dessas doutrinas, pois não só as doutrinas, como também a prática varia entre as denominações. Para John Landers:
Existem grandes variações de doutrina e prática entre os professos de Jesus Cristo. Essa variação não é, contudo, tão grande como no budismo, porque a fé cristã tem o Novo Testamento como fonte doutrinária. (Landers, 1994 p.67)
Assim será explicada, de forma sucinta, a Salvação, a Trindade e a Volta de Jesus, três doutrinas invariáveis entre os evangélicos, o que as tornam importantes, visto que esse trabalho não é um estudo de caso, e sim um ensaio genérico.
2.1 A Salvação
Numa perspectiva sociológica, pode-se conceber a doutrina da Salvação como uma sacralização do profano. Na prática, o individuo deve reconhecer a sua situação existencial e que para transforma – lá, precisa crer em algo sobrenatural, daí periga toda explicação subjetiva, que para o evangélico é crer na ressurreição de Jesus. Ser salvo significa ser livre de uma determinada sentença ou acontecimento através de Jesus Cristo, logo a Salvação é a libertação dessa sentença.
Há outras expressões que significam a Salvação, como: o Novo Nascimento; Estar em Cristo; o Perdão dos Pecados e a Passagem pela Porta Estreita. Segundo McAlister (1982, p.55) a Salvação é “A operação espiritual que transforma um pecador num filho de Deus”. Sobre essa doutrina o evangélico sabe que é um dom de Deus e, McAlister (1982, p.56) acrescenta que “Sendo um dom, a salvação não pode ser ganha, operada ou merecida.”
Desse modo, para que o evangélico possa dar continuidade à sua vida sagrada, santificada, é preciso ter compreendido bem o que é a Salvação e do que é que ele foi salvo, em outras palavras, o evangélico deve fazer da ressurreição a representação de sua liberdade metafísica, enquanto ser humano fadado a limitação da vida material.
2.2 A Trindade
Dentre as doutrinas cristãs-evangélicas mais complexas de se compreender, a Trindade figura como um mistério, tido por muitos teólogos como incompreensível para a mente humana. A etimologia sugere dois aspectos ligados a palavra trindade: primeiro eles são três e segundo estão em unidade.
Muitos podem pensar que a trindade é a negação do monoteísmo judaico, ou seja, quando o cristianismo admite três pessoas em Deus, não significa dizer que são três deuses, e sim um. Ao contrário do que Feuerbach (1988) afirma: A trindade é a contradição entre o politeísmo e monoteísmo, fantasia e razão, imaginação e realidade. Em verdade, há uma pluralidade que funciona em perfeita harmonia, que coexistem e coagem numa sintonia.
Para melhor compreendermos essa doutrina é preciso enxerga-lá cronologicamente, primeiro deve-se enxergar o Pai nos tempos do Velho Testamento, isto é o Deus Criador, Supremo; segundo o Filho deve ser enxergado quando o Pai se materializou na pessoa de Jesus, e por fim o Espírito Santo só passa a ser enxergado após a ascensão de Cristo. Desse modo percebe-se que os três são os mesmos, porém manifestados em contextos históricos diferentes. Segundo Ludwig Feuerbach:
As três pessoas em Deus não têm uma existência separada; caso contrário nos defrontaríamos no céu da dogmática cristã, em toda majestade e franqueza, não com muitas pessoas divinas como no Olimpo, mas pelo menos com três pessoas em forma individual, três deuses. (Feuerbach, 1988, p.274)
Como podemos perceber, para o sujeito não evangélico é inconcebível a existência de três pessoas divinas em apenas uma, porém quando este passa a ser evangélico aceita e admite as doutrinas do sagrado, pois o princípio é crer e não duvidar.
2.3 A Volta de Jesus
A segunda vinda de Jesus Cristo é a doutrina cristã-evangélica mais fascinante, é o fecho de toda a interpretação evangélica da Bíblia e do cristianismo, para entendê-la vamos analisá-la sob três pontos de vistas. Primeiro, por que Jesus voltará? Todos evangélicos crêem que Jesus ressuscitou como também crêem que após sua ascensão o Espírito Santo foi enviado pelo Pai como a terceira pessoa da Trindade estabelecendo o “tempo da graça” que por sua vez não é eterno, e finda justamente com a segunda vinda de Jesus, quando o Espírito Santo se retirar do ambiente terreno, o mundo presenciará o retorno daquele que um dia ascendeu aos céus por ter ressuscitado.
Segundo, para quem Jesus virá? Para o evangélico Jesus virá para todo o mundo e para todas as gerações. Algo que a mente humana dificilmente compreenderá, pois segundo a Bíblia Sagrada, os mortos levantarão para enxergar a majestosa volta de Jesus, e isso irá acontecer tanto para quem crer como para quem não crer.
Por último, quando virá Jesus? Ora, segundo a Bíblia nem o próprio Jesus sabe somente o Pai, pois a surpresa será para todos os seres humanos em todos os tempos. Roberto McAlister em seu livro As Dimensões da Fé Cristã responde a essa pergunta da seguinte maneira:
Ninguém sabe. A Bíblia ensina que Jesus voltará “como ladrão da noite”, quando ninguém espera. Esta profecia da segunda vinda é tão certa quanto aquela já realizada, de Sua primeira vinda a Belém. Só que desta vez não haverá nem anúncio de anjos, nem estrela condutora. (McAlister, 1982 pp. 183-184).
Enfim, o evangélico crer piamente que Jesus voltará, pois primeiro creu que Ele ressuscitou logo Jesus está vivo em outra dimensão que não alcançamos, contudo os evangélicos afirmam sentir a sua presença.
3 PRINCIPAIS RITUAIS, por Misael Santos
Da mesma forma que não há religião sem crença, também não há religião sem ritos. No cristianismo-evangélico não é diferente, há vários rituais que vão da iniciação à manutenção. Entretanto, por trás de cada rito praticado existe uma doutrina. Concordando com Durkheim (1996) ao afirmar que “os ritos são modos de ação determinados” e “só se pode definir o rito após se ter definido a crença.” Será feita uma abordagem de três ritos essenciais dos evangélicos.
3.1 O encontro com o Senhor Jesus
O primeiro grande rito do cristianismo-evangélico é a conversão, em outras palavras, o momento em que o sujeito se encontra com a personificação de Deus – o Senhor Jesus, é a iniciação. Apesar de ser uma escolha do indivíduo, pessoal e íntima, os evangélicos crêem que essa decisão deve ser manifestada em público diante daqueles que já professam a fé e dos demais que ainda não possuem certeza suficiente para fazê-la.
Muitos depoimentos sobre a conversão existem e são divulgados no meio evangélico, são experiências individuais, que por essa mesma razão diferem uma das outras. O que destacamos é que para validar a conversão, não basta ter certeza dentro de si, é preciso declarar publicamente que aceita o Jesus como o Senhor e Salvador de sua respectiva vida. Em sua essência, o sujeito quando se converte ao cristianismo-evangélico deve crer na ressurreição de Jesus Cristo e, aplicar a representação desse “fato” em sua vida interpretando-a segundo a sua vivência. Apesar das subjetividades individuais o encontro é objetivo.
Essa não é uma escolha fácil, pois é um momento comparado a imagem de uma porta estreita, com um caminho estreito, que conduz o homem do mundo ao paraíso. Vale afirmar que várias religiões fazem essa comparação com o ingresso de seus adeptos. Para Mircea Eliade (1996) “o que importa, acima de tudo, é o fato de se ter conservado essas mesmas imagens para significar a dificuldade do conhecimento metafísico e, no cristianismo, da fé.” Logo ao se converter ao cristianismo-evangélico, o sujeito tem a noção das dificuldades que irão enfrentar na vida religiosa.
3.2 O batismo nas águas
Convertido ao cristianismo-evangélico, o sujeito é preparado para passar pelo segundo ritual necessário para a confirmação de sua salvação – o batismo. Acerca desse rito é importante levantar dois pontos antes de analisá-lo. Primeiro, de modo geral, não se batiza crianças com menos de dez anos, salvo algumas exceções. Segundo, ainda que a pessoa houvesse sido batizada na Igreja Católica é preciso ser batizada novamente, pois o batismo evangélico só tem valor se for por imersão.
O batismo nas águas pode ser interpretado como o reconhecimento ou confirmação de que o indivíduo se tornou um filho de Deus. Esse ritual acontece em batistérios, no interior dos templos evangélicos ou em rios, em praias, em lagoas, diques, piscinas e tanques. O processo é o seguinte: o iniciado para se tornar membro da comunidade é mergulhado, diante de todos, pelo sacerdote ou pastor significando a morte da vida material, “mundana” e, ao ser erguido, também pelo líder espiritual, ressuscita para viver a vida espiritual, ressurge para Deus. Segundo o bispo evangélico Roberto McAlister (1982): o novo convertido desce às águas do batismo para uma identificação perfeita de morte, sepultamento e ressurreição espiritual.
Diante do exposto, a melhor explicação para esse rito é dada por Mircea Eliade (1996) em:
O iniciado não é apenas um “recém-nascido” ou um “ressuscitado”: é um homem que sabe que conhece os mistérios, que teve revelações de ordem metafísica. (Eliade, 1996 p.153)
A origem desse rito remonta aos tempos de João Batista, com outro significado, em que o próprio Jesus teve que passar para depois ordenar aos seus seguidores que praticassem esse ritual por todo o mundo.
A água é um signo que representa muitos valores pré-cristãos e universais, segundo a Bíblia a água existe antes de qualquer criação, antes de qualquer forma de vida, a virtude da santificação está na água e é a água que constitui mais de cinquenta por cento de nosso corpo.
Por fim, o batismo só é realizado quando o iniciado tem a convicção da sua salvação, da vida espiritual que espera ser vivida. Em muitas igrejas para ser batizado o sujeito passa por uma espécie de avaliação perante todos os membros conhecido como “profissão de fé”. Onde avalia se realmente o candidato a membro morreu para o profano. Mircea Eliade (1996) afirma que “o acesso à vida espiritual implica sempre a morte para a condição profana, seguida de um novo nascimento.” E para os evangélicos isso se processa através do batismo nas águas.
3.3 A ceia do Senhor
Feita a escolha pela porta estreita, iniciado através do batismo, o evangélico agora se depara com um problema inerente a toda a humanidade, não importando se sagrada ou se profana – a memória. É preciso fazer lembrar o que ele agora é, e no que ele crer. Peter Berger (1985) afirma que o ritual religioso é um instrumento de suma importância num processo de “rememoramento”. Pois exposto ao cotidiano, convivendo diretamente com a vida profana, presume-se que o evangélico possa ser “contaminado” chegando até mesmo a perder seus valores.
A celebração da ceia do Senhor pode ser interpretada como um ritual de manutenção do cristianismo-evangélico. Instituída pelo próprio Jesus Cristo, anos mais tarde ratificada pelo apóstolo Paulo, é basicamente celebrada através de dois signos: o pão que significa o corpo de Cristo e, o vinho significando o seu sangue, que em seu conjunto guarda o significado da morte e principalmente da ressurreição de Jesus. É celebrada mensalmente, de modo que o sujeito evangélico constantemente é induzido a refletir no fato que sustenta a sua fé – a ressurreição de Jesus. O bispo evangélico Roberto McAlister explica o seguinte:
Saiba que todos quantos vêm à mesa do Senhor para comer do pão e beber do cálice são imperfeitos, carecendo da graça do Senhor. Ninguém dela participa por direito ou santidade própria e sim pelos méritos do Salvador, cuja memória celebramos naquela hora. (McAlister, 1982 p.p 126, 127)
Esse ritual é sempre o mesmo, seguindo a mesma ordem, profere as palavras de Jesus, come o pão, profere outras palavras de Cristo, bebe o vinho. Em relação ao sentido desse rito, Peter Berger explica de um modo geral, porém sua explicação se aplica perfeitamente à ceia do Senhor em:
A “ação” de um ritual consiste tipicamente de duas partes: as coisas que precisam ser feitas e as coisas que precisam ser ditas. As execuções do ritual estão estreitamente ligadas à reiteração das fórmulas sagradas que “tornam presentes” uma vez mais os nomes e os feitos dos deuses (Berger, 1985 p.53)
É perceptível que entre esses rituais há uma gradação, uma seqüência lógica que faz enxergar o cristianismo-evangélico em torno da ressurreição de Jesus, marco que fundamenta todo o cristianismo em suas diversas interpretações, que deve ser inquestionável da parte do evangélico, jamais ele pode duvidar que Cristo ressuscitou, e que por este mesmo motivo, Ele está vivo e voltará conforme a profecia.
4 ORGANIZAÇÃO SOCIAL, por Elienar Soares
Os evangélicos tem se configurado como um dos segmentos da sociedade com crescimento vertiginoso. Por isso desperta um interesse em desvelar o fator de sua organização, ponderando que para crescer as organizações precisam estabelecer regras, condutas, estatutos e hierarquias.
As igrejas evangélicas por sua vez não procedem de forma diversa, pelo contrário comungam de doutrinas e rituais, no entanto os costumes, tradições e a organização diferem um pouco. No momento o tema focalizado é a organização e disposição dos cargos hierarquicamente.
Embora muitos acreditem e veja o pastor como a figura central das igrejas, esse ponto não é condição sine qua non, pois tem surgido a figura do apóstolo, do bispo, que algumas denominações (são os títulos dos templos ex.: Igreja Batista, Igreja Deus é amor etc.) tem adotado como o cargo que fica no topo da hierarquia.
A divisão dos cargos é uma ordenança bíblica, ensinada pelo apóstolo Paulo aos Romanos (12.3-8) carta escrita entre os anos de 55 e 59 d.C. esta é necessária para a organização dos serviços da ceia, ofertório assim como o bem-estar e segurança dos que participam dos cultos, para evitar conflitos nas execuções das tarefas porque existem tarefas de baixa complexidade, todavia há demanda que exige preparo intelectual e teológico, além da preparação espiritual obtida por meio de orações e estudo sistemático da Bíblia.
Antes é imprescindível informar que Igreja é pessoa jurídica de direito privado, tendo liberdade constitucional assegurada pelo Artigo 5 & VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias; Entretanto para efeitos civis, está legalmente submetida ao poder público nas questões administrativas, associativas, financeiras e patrimoniais, tendo que prestar conta aos órgãos competentes demonstrando lisura administrativa e dos seus atos.
Dessa forma, para funcionar uma congregação faz-se necessário a constituição do estatuto com a composição da diretoria e seu respectivo registro nos órgãos competentes, regularização junto a Fazenda Nacional com a emissão do cartão do CNPJ, realização de assembléias ordinárias e extraordinárias, registradas em Ata conforme estabelecido no estatuto, regularização junto ao órgão municipal com a obtenção do Alvará de Licença e Funcionamento, inspeção do Corpo de Bombeiros e instalação de equipamentos de segurança e prevenção contra incêndio.
As igrejas, enquanto órgãos vivos são constituídos em partes, tal qual o corpo humano, cada membro tem sua função, porque igreja, no conceito bíblico são as pessoas que constituem a congregação que por sua vez se reúnem nos templos para comungarem da mesma fé e ritos. Elas se organizam assim:
Igreja Batista da visão celular:
Apóstolo, pastor (a) e líderes.
Assembléia de Deus:
Evangelista, pastor-presidente, pastor, presbítero, diácono, auxiliar de púlpito.
Igreja Deus é Amor:
Pastor, presbítero, diáconos.
Batista Tradicional
Pastor, pastor auxiliar, diácono, diaconisa.
Igreja Apostólica Renascer em Cristo
Bispo (a), pastor (a), oficiais.
Essa divisão hierárquica é referente ao corpo eclesiástico que lida diretamente com os membros, os visitantes, todos que freqüentam enfim aos cultos, ministrando os ensinos de Jesus Cristo e dos seus apóstolos, os quais são encontrados na Bíblia, livro de regra e prática adotado por todos os segmentos evangélicos
A administração do templo no que tange ao atendimento dos órfãos, viúvas, desfavorecidos, abrigo em centro de recuperação para dependentes químicos em todos os níveis com apoio médico-psicológico, concessão de cesta básica, delegar tarefas de higienização, ornamentação do templo, tesouraria, secretaria, é feita pelos diáconos, líderes com aquiescência do bispo, pastor.
Socialmente as igrejas evangélicas desempenham com determinação e uma vontade extrema de ver a mudança no sujeito detentor do direito a uma vida digna um papel de ressocialização fantástico, mas pelo preconceito esse atos tornam-se invisíveis, porém bem visto pelo familiares, vizinhos e amigos que sofreram os instantes que conviveram com um detento, dependente químico outra mazela da sociedade.
5 A FUNÇÃO SOCIAL, por Nelma Hora
Organizados em igrejas, denominações ou ministérios, os evangélicos exercem qual função na sociedade? Estas funções não se restringem apenas à assistência psicológica, engloba também o ensino religioso, profissionalizante, prepara cidadãos para o competitivo mercado de trabalho. Com o objetivo de minimizar os efeitos das desigualdades sociais, o ministério das famílias trabalha em conjunto com outros setores da instituição e com a colaboração de voluntários fazendo um árduo trabalho de amor ao próximo.
Presídios, centros de recuperação de dependentes químicos, creches, escolas, orfanatos, lares para crianças e adolescente em situação de risco, todas essas atividades são realizadas, contudo com o cunho religioso, ou melhor, evangélico, as ações de ampara aos menos favorecidos provocam transformação metafísica que são percebidas na convivência daria com as pessoas envolvidas no processo.
É um desafio programar valores éticos e culturais às pessoas que convivem em situações adversas. As causas se multiplicam: diminuição de condições de vida, o desemprego, miséria desordem e a crescente violência fazem com que a igreja se posicione de forma a se colocar a disposição da sociedade.
Nos locais de auxílio fraterno abre-se o caminho para uma vida nova devido às transformações de pessoas que passam a ter uma esperança de uma vida melhor demonstrando através de comportamentos saudáveis para se e no âmbito social contribuindo para o bem comum. Consequentemente o convívio coletivo do individuo assistido melhora sua auto estima passando adiante sua mensagem de fé e esperança para outras pessoas.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Admitindo as doutrinas evangélicas como verdade, e atribuindo a pessoa de Jesus parâmetro e referencial humano em todos os tempos, nos permitimos citar duas frases de sua autoria, antes de tecermos quaisquer considerações: vós sois o sal da terra e vós sois a luz do mundo. Sem pretender, e mesmo sem ter conhecimentos de hermenêutica, nós observamos claramente àquilo que os evangélicos devem ser na sociedade.
Primeiro é impossível não perceber que cerca de quarenta milhões de brasileiros se declaram evangélicos, sendo tradicionais, pentecostais, neopentecostais ou outra classificação que houver. De que forma então essa massa brilha? De que maneira essa massa dá sabor? Recebendo críticas, comentários preconceituosos ou será que a sociedade insiste em enxergar os evangélicos como inimigos dos católicos?
Segundo, a mídia brasileira, principalmente a televisão tem se estabelecido como um verdadeiro campo de batalha “espiritual”. Com dois pólos explícitos, de um lado a manipuladora das massas nacionais – a Rede Globo, e do outro lado a regente das massas evangélicas – a Rede Record, para não citar a Rede Família. A sociedade por sua vez perde seu foco na essência da religião e passa a satisfazer interesses macro-mercadológicos.
Recentemente, quando o Brasil realizou as eleições presidenciais, percebeu que os evangélicos não tiveram poder decisão, mas tiveram o poder da escolha, ao direcionar seus votos, ainda que de modo extra-oficial, para a candidata do partido verde, a ex-ministra Marina Silva. Ao votarem em Marina, não estavam votando no partido, ou nas propostas de governo da candidata, e sim na pessoa da candidata, pois foi a primeira vez que uma evangélica se candidatara a presidência.
Ainda que os evangélicos sejam uma força política, cultural, esportiva, ainda que tenham caráter de agentes de transformação social, estes não podem se distanciar do sagrado, ou seja, estes não podem dar prioridade a outras atividades que não sejam aquelas que suas doutrinas ensinam.
À luz da academia e da tolerância religiosa, tendo em vista que nas ciências humanas o objeto de estudo são os seres humanos, cremos que os evangélicos é uma seara pouca explorada, pela omissão dos próprios graduandos evangélicos que fomentam a discriminação a respeito de uma parte significativa da população da qual fazem parte.
Quanto às atividades sociais realizadas por milhares de igrejas evangélicas nesse país, e considerando que essas atividades não estão vinculadas diretamente ao seu objetivo centralizado na salvação dos indivíduos, a sociedade poderá vir reconhecer que, apesar de juridicamente não atuarem como tal, as igrejas evangélicas exercem papel semelhante ao das ONGs, principalmente nas periferias dos grandes centros urbanos.
Por trás do rótulo de que vivemos num Estado laico poderia se investir em pesquisas interdisciplinares evangélicas, englobando principalmente a filosofia, arqueologia, sociologia, psicologia e as ciências econômicas. No entanto, sabemos que os interesses micropolíticos produzem a verossimilhança do preconceito e da discriminação aos evangélicos, ou melhor, ao povo de Deus.
REFERÊNCIAS
BERGER, Peter L. O Dossel Sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo. Edições Paulinas, 1985.
DURKHEIM, Émile. As Formas Elementares da Vida Religiosa. São Paulo. Editora Martins Fontes, 1996.
ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano: a essência das religiões. São Paulo. Editora Martins Fontes, 1996.
FEUERBACH, Ludwig. A Essência do Cristianismo. Camoinas, Papirus, 1988.
LANDERS, John. Religiões Mundiais. Rio de Janeiro. JUERP, 1994.
McALISTER, Roberto. As Dimensões da Fé Cristã. Rio de Janeiro. Carisma, 1982.